05/04/10

PÁSCOA em Ovar

Agonia de Jesus no Horto
Baixo relevo no Passo do Pretório (Igreja Matriz de Ovar)

A Vigília Pascal, com o seu cerimonial rico de significado, constituiu uma verdadeira chave de ouro da Semana Maior.

Presidiu o Pároco, acompanhado pelo Diácono António Poças e por diversos acólitos e elementos da Confraria do Santíssimo, e foi notável a qualidade da leitura, da salmodia e dos cantos litúrgicos, estes a cargo de um coro formado por elementos dos diversos grupos corais, dirigido por Joaquim Neves e acompanhado por alguns instrumentistas.
No momento próprio foram baptizadas seis crianças em frequência de catequese.



A luz do Compasso

No passado dia 4 de Abril, Domingo de Páscoa, oito cruzes percorreram as ruas da cidade, espalhando a mensagem da Ressurreição às famílias que, como é da tradição, haviam colocado “verdes” às suas portas. (O Pároco de Ovar, P.e Manuel Pires Bastos cumpriu essa missão deslocando-se ao Hospital, à Santa Casa da Misericórdia e à Casa de S. Thomé).

Por volta das duas horas da tarde desse dia primaveril, ouvimos na rua Dr. José Falcão o som estridente de uma campainha a anunciar a chegada do Compasso. Apressámos o passo e fomos ao seu encontro. Ao longe, avistámos o sr. Almeida, transportando a cruz, sinal de redenção, acompanhado da Irmã Domingas e de D. Teresa. Acabavam de entrar numa casa tipicamente vareira.
Depois de um “compasso de espera”, no intervalo onde se ouvem Aleluias – “Este é o dia que o Senhor fez, cantemos e exultemos de alegria” –, os três anunciadores prosseguiram a sua caminhada, levando a Boa Nova da Ressurreição de Jesus Cristo a outros fiéis que se predispuseram a abrir as suas casas.
Numa outra rua, perto do Lamarão, a cruz, ao contrário do que tinha sucedido em outras paragens, “ficou à porta” de um dos lares, mas não deixou de iluminar os rostos jovens de uma família que aguardava, há muito, a chegada do Compasso. Os olhos daquelas pessoas sossegaram, brilharam, com a presença de Cristo Salvador. Por instantes, o sol ficou envergonhado, tal era a luz que jorrava do interior de cada um dos membros daquela família humilde.


Ao tomarmos parte naquele quadro pascal, e enquanto reflectíamos como será “viver à luz de Cristo”, a campainha continuava a cumprir o seu ritual, fazendo assomar à janela, por detrás das cortinas, alguns cristãos mais desatentos.
A Visita Pascal serve também para despertar algumas consciências, para que amanhã todas as portas se abram e uma nova luz floresça. TEXTO de Fernando Pinto

Fotos: Fernando Pinto (Postal e Compasso); António Mendes Pinto (2, 3 e 4)

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