04/03/11

De Ovar à Síria

Foi-me dado o ensejo de visitar, de 21 de Fevereiro a 1 de Março, a Síria, nação cujos valores nem sempre são reconhecidos pelo mundo ocidental, habituado a avaliar os países do Médio Oriente pelo petróleo ou pelas disputas ali travadas nas últimas décadas, fruto de um exacerbado tribalismo e fundamentalismo religioso. 
Anfiteatro romano em Bosra, cidade de basalto, declarada Património da Humanidade
Mas a Síria, como toda a região entre o Eufrates e o Nilo, respira ainda a cultura e a religiosidade das suas antigas civilizações, de que perdura a monumentalidade de cidades e aldeias pejadas de restos arqueológicos que nada ficam a dever aos das clássicas Roma ou Atenas.
Se é confrangedor, para nós, ocidentais, saber que muitas daquelas gentes constituíram, nos primeiros séculos da nossa era, comunidades de grande vitalidade cristã, resta-nos um sentimento de compreensão pelo facto de verificarmos que na Síria, por exemplo, entre muitos sinais da presença da fé cristã, marcada pela arte e pela tradição bizantinas, se conservam ainda povoações com expressiva presença de cristãos, sejam coptas, arménios ou ortodoxos.
Em Malula, encontrámos o caso excepional de uma pequena cidade com 80% de cristãos que vivem sob a tutela espiritual de S. Sérgio e S. Bachus, cuja pequena igreja é considerada a mais antiga do Médio Oriente, e de Santa Tecla, cujo corpo foi sepultado numa reentrância de rocha em que procurou asilo em vida, local que deu origem a um convento de grande atracção religiosa.

Friso dos Apóstolos na abóbada da catedral católica arménia, em Damasco
Desses primitivos cristãos ficaram as ruínas dos templos e das casas de habitação das "aldeias abandonadas", ensopadas no sangue ali derramado, na defesa contra os seguidores de Maomé. E bem perto, o enorme complexo paleocristão de S. Simão o Estilita.
Na própria capital, Damasco, profundamente Muçulmana, não deixa de ser impressionante a importância suscitada pela memória de S. Paulo, baptizado por Ananias. E na cidade de Alepo, como em Krak des Chevaliers, não deixa de estar presente a aventura medieval dos Cruzados, na mira de defenderem os Lugares Santos.

Ruínas de Palmyra, a capital do deserto sírio, classificada como Património da Humanidade

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TEXTO E FOTOS: Manuel Pires Bastos

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