12/04/11

A identidade cultural e religiosa

Cruzes no mês da Esperança
O crucifixo nas escolas

Nesta época do ano litúrgico pareceu-me importante registar um facto que passou muito despercebido na comunicação social. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem autorizou a presença dos crucifixos nas salas de aula das escolas públicas. O Tribunal reconheceu que a exposição do crucifixo não é doutrinamento, mas a expressão da identidade cultural e religiosa dos países de tradição cristã.
Esta questão tinha sido suscitada por Itália. No nosso país também se tomaram decisões neste âmbito, em nome da laicização do Estado e da liberdade religiosa.
Eu sou a favor da liberdade religiosa (que é inquestionável) e de que o Estado deve ser laico, no sentido de que não deve conduzir a sua acção por motivos religiosos, nem deve tomar decisões que limitem a liberdade religiosa. Mas outra coisa diferente é ignorar a identidade cultural e religiosa do nosso país.
Às vezes quer parecer que temos vergonha da nossa história, dos nossos valores, da nossa identidade. E isto não quer dizer que não tenhamos um respeito profundo pela liberdade religiosa; quer apenas dizer que não devemos ter receio dos símbolos e das manifestações que expressam a nossa identidade. A liberdade, a tolerância e o respeito pelos outros, na sua diversidade, não colide com os símbolos da nossa identidade cultural.

Manuel Oliveira Dias
11/04/2011

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