06/07/11

Ansiedade


  
Preso à raiz que me sustenta, em vão
Tento fugir, voar pelos espaços,
Ser livre de cadeias e de laços,
Viver, como os heróis, uma ambição.

Se procuro subir, logo meus braços
Flutuam sem ardor e sem paixão,
Incapazes, rendidos ao torrão
Que traz agrilhoados os meus passos.

Terrível ansiedade, que me deixa
A sofrer e a sangrar, sem uma queixa,
Mas sentindo em minh’alma o sangue e a dor…

Não sofrerei em vão. Um dia mais,
E há-de a raiz, à custa dos meus ais,
Subir, enfim, comigo em paz e amor.

Manuel Pires Bastos
Loureiro, 1961 (há 50 anos)

Foto: Jardim-adro da Igreja Matriz de Ovar (MPB)

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