01/05/13

150 anos da passagem de Júlio Dinis por Ovar

JÚLIO DINIS, um dos pseudónimos de
 Joaquim Guilherme Gomes Coelho (1839-1871)
“Cheguei a salvamento a esta terra, tendo engolido muito pó pelo caminho, petisco de que, nem por isso, fiquei gostando.” (Carta escrita em 07/05/1863 por Júlio Dinis à sua sobrinha Ana Constança Gomes Coelho).

Na próxima 3.ª feira, 7 de maio de 2013, comemora-se uma data muito espe­cial: faz precisamente 150 anos que o autor de “As Pupilas do Senhor Rei­tor” chegou a Ovar, vindo do Porto.
O Nobel da Medicina Egas Moniz diz-nos no seu livro Júlio Dinis e a sua obra que o escritor, ao ir para Ovar fez o trajeto do Porto até à vila a cavalo, “e que passou todas as contrariedades de uma longa viagem, pois deve andar entre quarenta e cinquenta quilómetros a distância que separa Ovar de Vila Nova de Gaia.”


Casa-Museu Júlio Dinis (Ovar)
FOTO: Fernando Pinto

O nosso colaborador António Ferreira Valente, no seu artigo "Júlio Dinis: Carácter do Homem e do Escri­tor", lembra que “na casa da Tia Rosa Zagalo, no Largo dos Campos, onde estava hospedado, recebeu, por volta de julho desse ano, a sobrinha Anita, a quem acompanhou pelas ruas centrais de Ovar, dando-lhe a conhecer alguns locais com interesse. No átrio da Igreja Matriz, enquanto aguardava pela hora da Missa, Júlio Dinis, à sombra de um plátano, observava as brincadeiras da sobrinha que, com as suas pequenas mãozitas, abria uma cova, e assim se entretinha.
Já no interior da igreja, Júlio Di­nis colocava-se junto à nave direita, num gesto que se repetiria enquanto permaneceu em Ovar (...). Momentos deliciosos e de encanto viveu-os Júlio Dinis quando, após o regresso da Anita a Monchique, se deslocava à Igreja e, estando debaixo daquele plátano, vindo-lhe à recordação a sua sobrinha (...) tomava a atitude, um tanto discreta (talvez porque não seria entendida por quem o visse), de renovar a covita que ela tinha feito”.

Confessionários da Igreja Matriz de Ovar,
inspiradores do texto que se reproduz ao lado.
 Júlio Dinis cita várias vezes esta Igreja,
que ele frequentava

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“(...) A hora marcada para o sermão aproximava-se; haviam-se já evacuado os diferentes confessionários, e o povo cada vez se apertava mais em todos os pontos da igreja e trasbordava para fora das portas do templo. Quem de dentro olhasse para a porta principal veria que a grande distância, na rua, se prolongava a multidão.
Apenas um confessionário permanecia ainda ocupado. Havia mais de uma hora que ali estacionava de joelhos uma penitente com a cabeça coberta por a capa de pano, com que rodeava o crivo da confissão. (...)”
(Do cap. XIX de “A Morgadinha dos Canaviais”, de Júlio Dinis)

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