19/06/13

Ecos das Jornadas da Fé na Vigararia Espinho/Ovar - 15 e 16 junho de 2013

O amplo pavilhão desportivo da Paróquia de Cortegaça abriu as suas portas para acolher dois dos três grandes momentos das Jornadas do Ano da Fé na Vigararia Espinho/Ovar: a Assembleia de Paróquias, na tarde de Sábado, 15 de junho, e a Eucaristia de Encerramento, na tarde de Domingo, dia 16.

O Pavilhão Desportivo Paroquial de Cortegaça

Entre um e outro destes acontecimentos teve lugar, na Igreja de Espinho, uma Vigília de Oração, promovida pelos grupos de jovens da Vigararia.
A todas as celebrações presidiu D. Manuel Clemente, que ainda orienta, agora como Administrador Apostólico, a nossa Diocese, acompanhado por D. João Lavrador, seu Bispo Auxiliar, os quais foram recebidos carinhosamente pelos numerosos participantes, oriundos das 14 freguesias que constituem a zona litoral sul da Igreja Portucalense, à qual andam vinculadas, desde os primórdios da nossa nacionalidade, constituindo, desde então, uma parcela privilegiada das Terras de Santa Maria.

Recepção a D. Manuel Clemente

Pedro Braga da Cruz
Seguindo o projeto proposto para as Jornadas a nível diocesano, a tarde de sábado foi dedicada à participação dos cristãos leigos que, com o seu testemunho vivencial nas diversas tarefas do dia-a-dia, mostraram como se pode interagir na construção de um mundo equilibrado e harmonioso, onde os valores humanos podem ser iluminados e enriquecidos pela claridade dos valores da fé.

Os testemunhos vieram de uma família (família Cruz, de S. Vicente de Pereira), de uma catequista (Carolina, de S Cristóvão de Ovar), de um jovem (Nuno Faria, de Anta), das Conferências de S. Vicente de Paulo (Ricardo, de Silvalde), do Voluntariado (Ana, de Espinho), de uma Religiosa (Irmã Fernanda, Instituto Jesus Maria José, Ovar), de um seminarista (Dinis, Espinho), de uma doente (Dr.ª Dulce, Esmoriz), de um Visitador de Doentes (António Pais, Paramos), do Trabalho (Eng.º Pedro Braga da Cruz, Ovar), e da Arte (Arq. Manuel Augusto, S. João de Ovar).


Arquiteto Manuel Augusto
Irmã Fernanda, do Instituto Jesus Maria José,
dando o testemunho da sua vocação consagrada

Estes testemunhos, entremeados pela reflexão pastoral de D. Manuel Clemente e de D. João Lavrador, e pelo ritmo alentador das vozes e dos instrumentos de uma Banda Jovem – formada, com a motivação destas Jornadas, por jovens das diversas paróquias –, prenderam a atenção da assembleia, alertando-a para perspetivas de ação mais qualificada e perseverante ao serviço das suas comunidades.

Entrega do Prémio de Poesia por D. Manuel Clemente ao Dr. João Guerra, natural de Válega
O 2.º e o 3.º premiados no concurso de Poesia 

No final, foram entregues pelos Senhores Bispos os prémios correspondentes aos primeiros classificados no Concurso de Poesia desta Jornada Vicarial da Fé, aberto a concorrentes desta Vigararia, e atribuídos, respetivamente, a João Augusto da Fonseca Guerra (Espinho), Dulcídio Pereira Vaz Pinto (Ovar) e Djalma Moscoso Marques (Ovar-Oliveira de Azeméis).

Jovem lendo um dos trabalhos premiados no concurso de Poesia
Foram inesquecíveis as duas horas e meia passadas na vigília de oração noturna celebrada na Igreja Matriz de Espinho. Ambiente jubiloso no exterior do templo onde, ao encontro do poço de Sicar, os jovens encontraram a luz, o fogo e a água, elementos que ajudam a reconhecer a pessoa de Cristo, reveladora do coração misericordioso do Deus Vivo. Neste ambiente calmo e recolhido, fruto do gosto apurado e criativo da juventude, celebrou-se e experimentou-se a fé.


Vigília de oração na Igreja de Espinho

Na volta ao pavilhão paroquial de Cortegaça, na tarde de domingo, encontrámos uma casa cheia e esplendidamente preparada para a festa final das Jornadas, a Eucaristia Solene, presidida por D. Manuel Clemente. O coro, resultado da união de elementos de muitos coros, prestou um excelente serviço litúrgico, dando, no dizer do senhor Bispo, uma lição de entendimento e de trabalho comum a desenvolver entre os coros paroquiais.

O Diácono António Poças lendo o Evangelho na Eucaristia

Os Párocos e Diáconos da Vigararia, bem como os servidores da Palavra, da Liturgia e da Caridade, as Confrarias e grupos eclesiais – em grande parte ali assinalados pelos seus estandartes –, as instituições autárquicas, de cultura e de recreio dos dois concelhos, tudo se conjugou para criar a moldura humana que ajudou a encher de vida e de espiritualidade o magnífico cenário em que a festa se desenrolava.
Foi forte e fraterna a mensagem que nos deixou D. Manuel Clemente, novo Patriarca de Lisboa, nesta última visita aos diocesanos da nossa Vigararia, inspirando-se na humildade e no amor de Maria Madalena, fascinada pela palavra e pela infinita misericórdia de Jesus Cristo. M.P.B.



VEJA AQUI
A REPORTAGEM COMPLETA DAS JORNADAS DA FÉ


Foram vinte e dois os poemas candidatos ao concurso de Poesia da Jornada Vicarial do Ano da Fé Espinho/Ovar, tendo o júri escrutinado como 1.º, 2.º e 3.º classificados os seguintes autores:
1.º João Augusto da Fonseca Guerra, com “Duc in altum”;
2.º Dulcídio Pereira Vaz Pinto, com “A Fé que amo e quero”;
3.º Djalma Pinto de Sá Moscoso Marques, com “De repente, uma brisa”.

Eis a primeira das quatro partes em que o poema vencedor se divide:

Duc in Altum
Primeiro Passo
Às areias tristes e escuras do deserto
onde, instalada, vive a funda solidão
onde nunca chega um azul calor de mão
vai, núncio da fé,
– passa uma leve brisa maternal e subtil –
é a tua vez e tua é a missão!
Aos curvados passageiros dos desvios
onde, impiedosa, sangra a negra mágoa
onde corre um frio rio de amarga água
vai, soldado da fé,
– a primavera já nasceu e é sempre inverno –
é a tua vez e tua é a missão!
Aos mil labirintos das astuciosas manhas
onde, triunfante, mora a aranha feia
onde não há a mínima piedade na sua teia
vai, profeta da fé,
– a mentira foi vencida na sua lábil casa –
é a tua vez e tua é a missão!
Vai.
É a tua hora!
Recolhe todos os restos e rastros
mói todos os trigos e joios
faz um altar das espigas daquela palavra
que uma vez dita é vivo fogo, alma das almas,
e perfuma os passos já não adiados.
Não tenhas medo!
O trovão abala e estremece
e a luz que o precede
acende
as tochas do Futuro.

João Augusto da Fonseca Guerra



A Fé que amo e quero

No respirar do mundo,
A fé, crepitante,
Funde-se à substância do tempo
E, suave, emerge em torrentes de luz,
Onde, sublime, se instala nos mansos e humildes corações…
Muito para além do vento,
Murmura a espiritualidade indivisível
E sustém a penumbra da descrença,
Na vela enfunada pela brisa da esperança…
Ruma na barco do amor,
Cresce no fermento da bondade,
Rasga ódios e leva nos braços a paz dos humildes…
Fala através do silêncio,
De um simples gesto,
Ou no sal de uma lágrima.
Faz erguer a força de querer ser mais
Sendo menos, onde a pobreza se converte em riqueza…
É esta a fé que amo e quero,
Que me faz olhar o céu todos os dias
E me aquece e alimenta de ternura,
Porque em cada dia, através dela,
Vejo, no sorriso dos outros,
O sorriso do meu Senhor…

Dulcídio Pereira Vaz Pinto


De repente, uma brisa

De repente, uma brisa
transforma o sentir e o olhar
como uma sombra que passa
e nos deixa à sede, junto ao mar!

Tudo ganha nova dimensão
é como se um beijo e um abraço
se perpetuassem como um laço
e envolvessem para sempre o coração
em festa permanente e imortal!

Reconquista-se a inocência de menino
perdida e de novo reencontrada
ou pela primeira vez vislumbrada
tudo passa a ser louvor e hino
e uma música sai de dentro de quem passa
na terra, por momentos paraíso!

Uma insustentável leveza cresce
e deixa à tona um sabor de infinito
é uma descoberta que despoleta um grito
explosão de ternura e mel
é como se um homem novo nascesse
sob a bênção de um Deus que lado a lado
partilhasse tudo, da seiva à flor!

Ah!
Parece que ao abrir uma janela
o mundo se abre de par em par
e o olhar se transforma numa tela
onde os anjos e os querubins vêm pintar!

O nada deixa de ter sentido
e até a dor passa a ter musicalidade
o tempo da morte é ido
e conquista-se uma definitiva verdade
existe uma luz que não se apaga!

É isso a fé e muito mais
uma sinfonia de cânticos e de ais
de júbilo e sedução permanente
encontro sem fim d'Ele com a sua gente.

Djalma Pinto de Sá Moscoso Marques

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