01/05/15

Ovar acolheu 5500 escuteiros da Diocese do Porto

Foi um acontecimento memorável para a cidade de Ovar: o encontro de 5 mil e quinhentos escuteiros da Diocese do Porto – lobitos, exploradores, pioneiros e caminheiros, e seus dirigentes –, que este ano quiseram celebrar em terras da Ria o dia do seu patrono, S. Jorge, e os 90 anos da entrada do Corpo Nacional de Escutas na Diocese Portucalense.
Foi impressionante a movimentação destes milhares de jovens desde a estação do caminho-de-ferro, onde chegaram, vindos do norte, desde as terras do Marão, em cinco comboios especiais, até ao local onde decorreria o momento alto da concentração.

D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto
FOTO: Jornalista Fernando Pinto

Este momento teria lugar no pavilhão desportivo da Arena Dolce Vita, onde o Sr. Bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, presidiu à Eucaristia, acompanhado pelo assistente religioso do Movimento Escutista da Diocese, Padre Renato, pelo Pároco local e assistente do Agrupamento 549 de Ovar, Padre Manuel Pires Bastos, e pelo Diácono António Poças, com a colaboração de um grupo de acólitos e de um bem estruturado coral de escuteiros.

Cinco mil e quinhentos escuteiros da Diocese do Porto encheram
o pavilhão desportivo da Arena Dolce Vita, em Ovar

Os Escuteiros do Agrupamento n.º 549, de Ovar

As bancadas e o recinto desportivo da grande nave estavam repletos – certamente a maior enchente do seu historial de mais uma década – e aos cânticos iniciais sucedeu um ambiente de respeitoso silêncio, propício ao recolhimento e à partilha da palavra dos dirigentes e dos orientadores da festa, bem como do nosso Bispo, que se manifestou feliz por ver à volta do altar uma assembleia jovem, numerosa e atenta, na busca dos princípios e valores que ao longo de quase um século têm norteado o movimento escutista católico na sua missão de formar um sem número de cidadãos com personalidade humana e cristã.
Esses princípios e valores foram salientados pelo presidente da celebração, que lembrou São Marcos, o Santo do dia, bem como o heroico testemunho de S. Jorge e de S. Nuno de Santa Maria, patronos dos escuteiros, que souberam vencer as provações que tiveram de enfrentar. Esta luta sem tréguas foi encenada no final da celebração através de uma espetacular representação que proporcionou enorme impacto visual e emocional nos jovens assistentes.
Marcaram presença na celebração o presidente da Câmara, Salvador Malheiro, a quem D. António Francisco agradeceu todas as facilidades postas na cedência do magnífico pavilhão, bem como o vereador da Cultura, Alexandre Rosas, um representante da PSP e elementos da Cruz Vermelha e de outros organismos locais.


Após a missa, teve lugar o assalto daqueles milhares de escuteiros ao respetivo merendeiro, e a dispersão por várias zonas da cidade, pacificamente invadida, num cenário semelhante ao da manhã, só que perdurando ao longo de toda a tarde, com aquela mole de juventude empenhada em cumprir os planos de trabalho previamente traçados por cada grupo para a visita a locais e monumentos da cidade, com respostas a questionários definidos.



Será oportuno referir que o escutismo entrou em Portugal em Braga, através da Cruzada Nacional Nun’Álvares, aprovada em 27 de maio de 1923 pelo Arcebispo D. António Vieira de Matos. Logo em 1924 foi iniciada em Ovar a formação de um núcleo desta Cruzada, aqui instituída oficialmente em 1926 sob a presidência de António Augusto de Abreu, a qual incentivou a criação do grupo de Escuteiros, com filiação no Corpo Nacional de Scouts em 31/10/1930, tendo como patrono o beato Nuno Álvares Pereira.
Após algumas interrupções, o escutismo regressou a Ovar em 1976, com a oficialização do Agrupamento n.º 549 do CNE em fevereiro de 1978. (Ver Manuel Pires Bastos, “73 Anos de Escutismo em Ovar”, Revista Dunas 2004).

Texto: Manuel Pires Bastos
Fotos: Fernando Pinto e MPB

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