30/09/16

Jornal ovarense JOÃO SEMANA - 1 de OUTUBRO de 2016


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Há quatro anos – em 15/06/2012 – publicou o “João Semana” um texto intitulado “Culto judaico em S. Vicente de Pereira?”, em que dávamos conta de um achado feito por nós naquela freguesia, próximo da capela de São Geraldo. Esse texto encontra-se, desde então, na Internet – pesquisar por aquele título –, seguido de outros textos relacionados com o assunto e publicados posteriormente no mesmo periódico.
Demos conhecimento desse facto a várias entidades, incluindo a Câmara Municipal de Ovar, que se mostrou sensibilizada com o achado – uma casa com eventual ligação ao judaísmo –, diligenciando, connosco, chamar ao local de peritos na matéria, como a Prof. Elvira Mea e o rabino Daniel Litvak [na foto], e comprometendo-se a enquadrar a questão na política cultural do município.


Os anos rolaram com algum desgaste no conjunto edificado, constituído por uma antiga casa térrea, de lavoura, supostamente quinhentista, de que restam uma sala com um Ekhal (armário judaico para guardar a Tora, o Pentateuco, com os cinco primeiros Livros da Bíblia), uma cozinha destelhada, uma arru­mada com a entrada de carros, acomodações para o gado, e uma atafona com a casa de moinho de triturar cereais e o respetivo engenho, movido por um animal. Um pouco além, tem assento uma outra casa, sobradada, do séc. XIX.
Finalmente, concluídas com êxito as indispensáveis diligências para a aqui­sição do prédio, os atuais proprietários e a Câmara irão formalizar o contrato de compra e venda do prédio, no valor de 125 mil euros, tornando possível dar àquele espaço o destino mais adequado: transformá­-lo em casa-museu de São Vicente de Pereira, onde, numa pequena e pobre sala que serviu, até há mais de um século, o culto judaico, foi acrescentada, no alto do seu Ekhal (Haron Hacadesh, símbolo da fé de Moisés), uma cruz de Cristo, o que denuncia a prática do crip­tojudaísmo.
Segundo Salvador Malheiro, presidente do município, “para além da re­cuperação deste património, único no nosso território, que se encontra muito degradado, o objetivo é incluir Ovar na Rota da Judiaria, contribuindo, tam­bém por esta via, para o desenvolvimento turístico e económico do concelho, atendendo ao valor patrimonial, cultural e histórico deste local”. Texto e foto: Manuel Pires Bastos

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