12/08/17

Jovem vareira em missão – Angola 2017

No dia 9 julho de 2017 decorreu na Paróquia de S. António de Palhais (Barreiro), Setúbal, o 50.º aniver­sário da família Passionista, que tem a sua sede em Santa Maria da Feira.
D. José Ornelas, bispo de Setúbal, presidiu à eucaristia campal, acompanhado por diversos sacerdotes Passionistas, na Quinta do Porto da Ramagem (Coina), emprestada para a festa, em que participaram muitos leigos e amigos da família passionista de várias localidades do país.


Na celebração, embelezada pelo Coral Orfeónico São Gabriel e Life Teen, foram enviadas cinco jovens leigas para a Missão Passionista de Calumbo (Angola), uma das quais, Inês Poças Ferreira (na foto, a segunda da direita), da nossa paróquia, que aqui deixa na seguinte “Carta de Motivação”, as razões pelas quais decidiu partir em missão.

Carta de Motivação: "Não quero ser jovem de sofá!"

Inês Poças Ferreira
O que me motiva a ir:
Para ser honesta, penso que não é possível demonstrar por palavras nem o porquê nem o quanto desejo ir em missão, mas vou tentar expor aquilo que vai no meu íntimo.
Há alguns anos que sinto algo dentro de mim que me impele a ser mais, a não me contentar com o que existe, com o estado “natural” do mundo, e a lutar por aquilo que acredito ser melhor. Não é que não me considere uma pessoa feliz e em paz (porque vivo assim na maior parte dos meus dias), nem que tenha a ideia ilusória de que irei mudar o mundo de forma extremamente profunda; mas acredito que cada um de nós consegue fazer pequenas dife­renças no seu dia-a-dia que, no final, acabam por fazer a vida valer mais a pena, e que vão deixando um mundo com mais amor. E são estas ações, simples e quotidianas, que, com mais ou menos sucesso, tenho feito.
É isso que quero fazer em Angola: o que já procuro fazer todos os dias. É certo que será de forma diferente, mas a essência é a mesma: “ser”.
Recordo-me que o P.e Pires referiu numa formação que, depois de respondermos à pergunta “quem sou?”, devemos procurar perceber “para onde queremos ir”. Tenho pensado também neste segundo ponto, e de uma coisa estou certa: não quero ser “jovem de sofá”. Aliás, não consigo explicá-lo melhor do que através das palavras do Papa Francisco proferidas nas Jornadas Mundiais da Juventude:
“Jesus não é o Senhor do confor­to, da segurança e da comodidade. Para seguir Jesus, é preciso ter uma boa dose de coragem. É preciso decidires-te a trocar o sofá por um par de sapatos que te ajudem a cami­nhar por estradas nunca sonhadas e nem mesmo pensadas, (…) capazes de contagiar-te a alegria, aquela alegria que nasce do amor de Deus, a alegria que deixa no teu coração cada gesto, cada atitude de mise­ricórdia. Caminhar pelas estradas seguindo a “loucura” do nosso Deus, que nos ensina a encontrá-Lo no faminto, no sedento, no esfarra­pado, no doente, no amigo em maus lençóis, no preso, no refugiado e migrante, no vizinho que vive só. Caminhar pelas estradas do nosso Deus, que nos convida a ser atores políticos, pessoas que pensam, ani­madores sociais; que nos encoraja a pensar uma economia mais solidária que esta (…).
Este tempo aceita apenas joga­dores titulares em campo, não há lugar para reservas. (…) O Senhor, como no Pentecostes, quer realizar um dos maiores milagres que pode­mos experimentar: fazer com que as tuas mãos, as minhas mãos, as nossas mãos se transformem em si­nais de reconciliação, de comunhão, de criação. Ele quer as tuas mãos para continuar a construir o mundo de hoje. Quer construí-lo contigo”.
E não sei explicar porquê, ao certo, mas tudo isto me faz querer cada vez mais ir em missão. Tendo por base que confio no que sou, que procuro ser realista nas minhas ex­pectativas, mas que não me consigo resignar a ficar no sofá. É isto que sou e que pretendo ser em Angola.

Inês Poças Ferreira

Sem comentários: