A procissão das Cinzas saiu pela primeira vez à rua em 1663, três anos após a fundação da Ordem Terceira de Ovar. Há 357 anos que os vareiros dão o testemunho da sua fé, percorrendo as principais artérias da cidade. Nos últimos anos, como constatou um dos Irmãos das fraternidades que se deslocaram a Ovar para figurarem no préstito religioso, são sobretudo os velhos que teimam em não deixar morrer aquela que é considerada uma das mais belas procissões do país.
"Estarmos aqui na Igreja é uma maneira de fazermos a nossa procissão interior", disse o pároco de Ovar, P.e Manuel Pires Bastos, que presidiu à celebração.
"Esta semana foi muito complicada para alguns de nós, por motivos de saúde, de falecimento de familiares. Não foi fácil, mas com a graça do Senhor e de São Francisco conseguimos ter tudo pronto para que hoje a procissão dos Terceiros se pudesse realizar. Como o Frei Bruno diz, só o Senhor manda no tempo, por isso, estamos à mercê do Senhor, e não da nossa própria vontade", referiu Vera Marques Cruz [na foto], Ministra da Ordem Franciscana Secular de Ovar, no final da celebração, aproveitando para agradecer a todos os que ajudaram na montagem dos andores, aos Irmãos Terceiros, à Irmandade do Senhor dos Passos (que este ano está formada), às zeladoras dos andores e às fraternidades que vieram de fora (Gondomar, Penafiel, Vila Real, Vila do Conde, Leça da Palmeira e Braga).
A Ministra da OFS deixou ainda um obrigado "ao presidente da Assembleia da Câmara Municipal de Ovar, Pedro Braga da Cruz, ao vice-presidente da CMO, Domingos Silva, aos acólitos, aos escuteiros, ao Frei Mário, que veio de Penafiel pela primeira vez a Ovar, ao Frei Bruno, nosso assistente, que mais uma vez esteve cá, e ao Sr. Padre Bastos, porque se preocupou connosco durante a semana e por estar sempre disponível para nós.
Após a leitura própria daquele domingo – Segunda Carta do apóstolo Paulo a Timóteo –, Bruno Peixoto [na foto], começou por cumprimentar os Irmãos e Irmãs das fraternidades, com o habitual "Paz e Bem", dizendo que "o tempo da Quaresma é um tempo que nos interpela à consciência, à avaliação, ao exame pessoal, a olharmos a nós próprios", e que a Quaresma é uma caminhada: "A Liturgia, neste 2.º Domingo da Quaresma, mostra-nos uma caminhada que Jesus faz, com os seus discípulos Pedro, Tiago e João, ao cimo do Monte, e Jesus Cristo caminha com eles para depois descer, e que depois terminará na caminhada do Calvário".
A maioria das pessoas procura viver no conforto, no comodismo, "e às vezes critica de barriga cheia", frisou Frei Bruno.
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| Os andores da Ordem Terceira e de Nossa Senhora da Conceição |
TEXTO e FOTOS: Jornalista Fernando Pinto







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